Meu pai, um ex-trabalhador de roça em Minas Gerais, criou cinco filhos, junto com minha mãe Ana. Ele mal sabia assinar o nome, mas era muito divertido, já, minha mãe estudou até o quarto ano primário, o que já era muita coisa no tempo deles. Apesar de não ter estudo, era meu pai quem contava histórias para nós. A gente fazia uma roda em volta da mesa e ele contava tantas histórias e de uma maneira tão engraçada, que eu adorava. Aqui em São Paulo, sempre que acabava a energia à noite, era hora de contar histórias à luz de vela. Foi com ele que aprendi a história de João e Maria, que ele dizia Joãozinho e Mariazinha. Era muito legal. Quando fui para a escola, não me desenvolvi tão rápido quanto pensava na leitura e escrita, fui gostar mesmo de ler e escrever, na quinta série. Lembro até hoje os nomes de três livros que a professora nos mandou ler e que eu amei: Um cadáver ouve rádio, O caso da borboleta Atíria, e O escaravelho do diabo. Minhas irmãs mais velhas liam mais de um livro por semana e choravam, eu queria saber o porquê e comecei a ler também, só que elas liam histórias de amor como, Júlia, Bianca, Sabrina, etc, depois começaram a ler Agatha Christie e eu fui atrás, li vários. Líamos também muita foto novela, e eu adorava. Depois, parei os estudos na oitava série para poder trabalhar, mas quando voltei e cheguei ao colegial, meus professores me apresentaram aos clássico da literatura. O que eu mais gostei foi, Amor de perdição de Camilo Castelo Branco. Eu sempre fazia as muitas "composições" que a professora pedia. Hoje sou professora de Português e tento fazer com que meus alunos também gostem de ler e escrever.
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